26/11/2009   |   14:42  |  Biu Vicente
Maracatu Estrela de Ouro de Aliança
No dia primeiro de janeiro de 1966, Severino Lourenço da Silva, que veio a ser conhecido como Mestre Batista, juntamente com alguns moradores do Sítio Chã de Camará e decidiram que, além da brincadeira de Cavalo Marinho e das rodas de ciranda e forró de rabeca, eles queriam ter um maracatu. E assim nasceu o Maracatu Estrela de Ouro de Aliança que durante vários anos saía apenas nos povoados de Aliança e das cidades vizinhas. Esse tempo mais antigo, o desfile era mais parecido com a tradição que ele aprendera com o seu tio, que aprendera do pai. Em entrevista ao Jornal do Commercio, na capital de Pernambuco, Batista informou que seu pai saia com o um maracatu no final do século XIX.

A lei que pôs fim à escravidão no Brasil gerou mudanças significativas, ainda que pequenas, na vida dos homens e mulheres que trabalhavam nos engenhos. Muitos deles passaram a viver em pequenos povoados que recebiam os moradores dos engenhos nas sambadas nos finais de semana, onde dançavam Cavalo Marinho, Coco e, mais tarde a Ciranda. Esses mesmos moradores, no período do carnaval passaram a desfilar como caboclos. Eram fantasias simples, semelhantes às vestimentas que utilizavam no trabalho nos engenhos e usinas. Chocalhos presos às suas costas, chapéu protetor, cara pintada e uma vara enfeitada com fitas, ali estava o caboclo que saia de sua casa nomeio do canavial em busca de companheiros para formar uma tribo e então ir aos povoados alegrar e se alegrar. Naquele ano de 1966 começava uma nova etapa na história do Maracatu de Baque Solto. A capacidade de organização e liderança do Mestre Batista indicou caminhos a muitos de seus folgazões, como Manoel Salustiano, Luiz Paixão, Biu Roque, e muitos outros que exercitaram todas as artes no terreiro de Chã de Camará.

O Maracatu Estrela de ouro foi, desde o início, um verdadeiro ponto de encontro de todas as culturas da região e ponto de onde saíram mestres para todas as regiões. A morte do Mestre Batista quase levou ao fim a sua obra, mas o Mestre Zé Duda e outros chamaram José Lourenço da Silva para assumir a direção do Maracatu criado por seu Pai. Nessa nova fase, iniciada em 1992 o Estrela de Ouro foi reconhecido pelo Ministério da Cultura como Ponto de Cultura, local de preservação, recriação e transferência cultural do povo brasileiro, atividade que vem realizando com sucesso, desde Aliança até países europeus. Atualmente uma biblioteca reconhecida como Ponto de Leitura, estúdio de gravação, articulação local, nacional e internacional, mostram a vitalidade do Estrela de Ouro, um Maracatu que é a História do Brasil e do povo brasileiro.

 
 
 
 
 
 
   
 
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