Resumo O Professor Severino Vicente da Silva, palestrante em evento promovido pelo Departamento de Letras por ocasião do IV Centenário do Padre Antonio Vieira, no dia 9 de junho de 2008, apresenta em formato ensaístico o conteúdo de sua apresentação. "(...)à medida que as leituras eram feitas e os pensamentos a mim chegavam, ficou claro que seria de melhor aviso ater-me a compreender algum aspecto da vida do padre Antonio Vieira (1608-1697) na sua relação entre o seu tempo e nós, vendo como Vieira veria e viveria no nosso tempo. Bastante comum entre historiadores é dizer que ao voltarmo-nos ao passado estamos querendo discutir algum problema que nos aflige de imediato. O pensar sobre o passado esconde sempre uma preocupação com o presente. Evaldo Cabral de Melo diz não gostar de datas comemorativas, talvez porque elas sirvam mais aos políticos que aos historiadores. É certo que datas redondas, datas celebrativas quase sempre armam cortina sobre a realidade, pois são elas, as datas, mais propícias para a louvação que para a reflexão crítica. Assim, essa data que celebramos em torno de Vieira, padre jesuíta que viveu no século XVII, padre de dois continentes, em período de viagens perigosas à sobrevivência, pode esconder as razões pelas quais nos debruçamos, no alvorecer do terceiro milênio, sobre um padre da Contra - Reforma. Contra-Reforma! Esta expressão já nos leva para um mundo de intolerância, a uma Europa seccionada pelo debate e lutas entre Católicos e Protestantes; e, no interior de cada fragmento do cristianismo europeu, outras lutas com divisões em escala menores, mas não menos violentas, uma violência que diziam vir do amor ao Cristo e à Igreja, e causou ódio entre os seguidores do Cristo e da Igreja, ou das Igrejas. Vieira viveu em um mundo cheio de divisões, alguns para nós imperceptíveis. As divisões vividas por ele, no seu tempo, e, nos séculos imediatamente posteriores, por muitos outros, continuam inclusive no nosso tempo. |